|
O QUE É O PROJETO ACUSARQ
A garantia de
níveis de ruído compatível com as atividades humanas,tem sido a principal
componente do projeto acústico de ambientes. No entanto, a acústica
arquitetônica vem se desenvolvendo no sentido de propiciar algo mais aos
usuários de ambientes diversos – a qualidade sonora. Entende-se por
qualidade sonora, um conjunto de atributos acústicos subjetivos que venham de
encontro às expectativas da experiência acústica do ouvinte.
A expectativa
de um ouvinte em uma sala de conferências, é que esta propicie condições
acústicas para uma adequada inteligibilidade da fala. Isto irá requerer
baixos níveis de ruído com certeza, porém algo mais é necessário para a
adequada comunicação oral. A sala deve ser imune a ecos, pois sabemos pela
própria experiência, que a inteligibilidade da fala é deteriorada por ecos,
pois a mensagem atrasada repetida pelo eco, se sobrepõe à mensagem mais
recente, sendo o resultado o mascaramento desta última informação.
Ecos são situações extremas de um comportamento mais comum observado em
muitas salas – a reverberação. A reverberação pode ser entendida como
uma série contínua no tempo de ecos discretos. No entanto, o seu efeito pode
ser tão prejudicial à inteligibilidade da fala quanto o eco. Assim, para uma
boa qualidade sonora da sala de conferências é necessário garantir a ausência
de ecos, e como a reverberação não pode ser eliminada totalmente (e a rigor
nem deve ser), será necessário controlá-la adequadamente.
Diferentemente
da sala de conferências, onde a reverberação dever ser reduzida, numa sala
destinada à música, certa reverberação é necessária, no sentido de propiciar
a experiência acústica que o ouvinte espera ao ouvir música. Neste caso,
considera-se que a superposição no tempo de sons reverberados, é avaliada
favoravelmente na apreciação de música. O objetivo do projeto acústico de uma
sala é a obtenção de “boas condições auditivas”. Tais condições podem ser
bastante distintas dependendo do tipo de programa que é apresentado na sala.
As características acústicas de uma sala de conferências são diferentes
daqueles de uma sala destinada à música, e pelo que vimos, até conflitantes,
no que tange à reverberação.
As
características físicas da sala (seu tamanho e forma, os materiais de
revestimento de paredes e teto, o arranjo dos assentos, etc.) determinam a
sua “acústica”; isto é, influenciam mais ou menos os sinais gerados por uma
mesma fonte sonora. Reciprocamente, para se criar condições acústicas
particulares, há necessidade de se atuar nas características físicas. Para
que a solução arquitetônica não seja baseada em tentativas e erros, que
poderá ser custosa, ou na experiência, que poderá causar surpresas
desagradáveis ao se projetar uma sala com características incomuns, existe um
bom número de índices objetivos ou “figuras de mérito” que podem ser
considerados “mediadores” entre os dados construtivos de uma sala por um
lado, e a experiência acústica do ouvinte por outro. Idealmente um índice
deste tipo deve ter as seguintes propriedades: (1) correlacionar-se com um
dado atributo subjetivo, (2) ser mensurável, para que se possa coletar
valores em salas existentes e assim poder validá-lo, (3) ser calculável a
partir dos dados construtivos da sala, (4) a atividade recíproca deve também
ser possível, isto é, poder-se indicar as características construtivas para
que o índice assuma determinado valor em uma sala, e assim criar-se uma certa
impressão subjetiva.
Uma das
tarefas nesta pesquisa, é medir índices objetivos e correlacioná-los com
atributos subjetivos de qualidade sonora em diversas salas de audição crítica
tais como salas de aula e de conferências, salas de música, estúdios de
gravação de áudio e salas de audição musical profissionais e domésticas.
Certos atributos subjetivos não se encontram ainda identificados para algumas
salas de audição crítica, sendo alguns dos atributos que tem sido propostos,
alvo de considerável debate e controvérsia, e por este motivo objeto de
pesquisa e desenvolvimento. Alguns dos índices objetivos necessitam de mais
trabalho de validação com atributos subjetivos que se supõe estarem
correlacionados.
Medições em
salas existentes possibilitam verificar como que as características do
projeto arquitetônico influenciam nos valores dos índices objetivos,
permitindo a definição de parâmetros
para o projeto que venham de encontro aos atributos subjetivos de qualidade
sonora esperados para determinada sala. Nesta área de pesquisa, é importante
dispor-se de um sistema de medição especializado e de baixo custo, e que
permita a reconstrução acústica virtual (auralização), tendo por base a
resposta impulsiva medida. O software a ser utilizado
pelo sistema de medição para obtenção e processamento da resposta impulsiva
será o Aurora©, como extensão (plug-in) do programa CoolEdit®, na forma de 20 módulos que permitem entre outras tarefas, a
medição da resposta impulsiva com sinais do tipo Seqüência de Comprimento
Máximo MLS (“Maximum Length Sequence”), Seqüência Repetida Inversa IRS
(“Inverse Repeated Sequence”) e Varredura de Senos (“Sine Sweeps”),
convolação rápida e em tempo real (auralização) e o cálculo dos índices
objetivos de qualidade sonora de acordo com a norma ISO 3382. O CoolEdit é um
poderoso programa de gravação e edição musical, capaz de processar qualquer
tipo de arquivo de áudio, sendo uma plataforma de baixo custo dos plug-in do
Aurora.
As salas
avaliadas poderão também ser simuladas com o programa computacional do tipo
traçado de raios Catt-Acoustics® que se
encontra disponível para esta pesquisa. Trata-se de importante ferramenta de
projeto, que permite a auralização tendo por base a resposta impulsiva simulada.
O trabalho
fornecerá subsídios técnicos para o projeto que orientem os arquitetos e
acústicos na concepção de salas de audição crítica cobertas por esta
pesquisa. Estão sendo previstas publicações em revistas indexadas
internacionais, bem como a divulgação dos resultados do trabalho em encontros
e congressos nacionais e internacionais na especialidade acústica de salas. O
trabalho de pesquisa irá também permitir o treinamento e formação dos alunos
de graduação e pós-graduação envolvidos.
Saiba mais
detalhes do projeto ACUSARQ
ACÚSTICA DAS PEQUENAS SALAS
Pequenas salas (acusticamente falando), são
consideradas o “gargalo” na área de acústica de salas. Saiba como lidar com
os diversos fatores que influenciam na qualidade sonora de estúdios de áudio,
salas de escuta musical profissionais e domésticas (“home-studios” e
“home-theaters”), salas de aula e de conferências.
Tutorial: “The
Acoustics of Small Rooms”, First Pan American/Iberian Meeting on Acoustics,
Cancun, Mexico.
|

|
Aplicativo
para determinação das freqüências e modos acústicos axiais em “shoe boxes”.
(Harman©)
|

|
Aplicativo
para avaliação acústica das dimensões de “shoe boxes” baseado na proposta
de Bonello.
(John Sehring©)
|
|
Aplicativo
para determinação das freqüências (entre 20 e 100 Hz) e tempos de
reverberação de modos acústicos (axiais, tangenciais e oblíquos) em “shoe
boxes” com paredes com quaisquer impedâncias acústicas.
 
Salvar os
dois arquivos em qualquer pasta, e executar o aplicativo clicando duas
vezes com o mouse no ShoeBox.bat salvado.
|
MAPEAMENTO ACÚSTICO COM O PROGRAMA DE TRAÇADO DE RAIOS
A chamada acústica geométrica, utiliza “raios
sonoros” (a semelhança dos raios luminosos), para “visualização” do campo
acústico no interior da sala. Esta técnica, na sua forma mais simples, é na
realidade uma simplificação de um problema bastante complexo, por não levar
em consideração alguns fenômenos acústicos como difração e difusão sonora.
Nos programas mais modernos, estes fenômenos podem ser modelados, sendo hoje
em dia uma ferramenta importante para o auxílio de arquitetos no projeto
acústico de salas.
|
Spray de Raios
Sonoros
|
Animação das
Partículas
|
História do Raio
|
Cobertura de
Refletores
|
|

|

|

|

|
|
Teatro Sérgio Cardoso
|
Teatro Cultura
Artística
|
Teatro Paulo Autran
|
Teatro Alfa
|
|

|

|

|

|
|
Inteligibilidade da Fala
|
Inteligibilidade da Fala
|
Clareza Para Música
|
Clareza Para Música
|
OUÇA DEMONSTRAÇÕES DE RECONSTRUÇÃO ACÚSTICA VIRTUAL –
AURALIZAÇÃO
|